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Áreas terapeuticas

O que é o refluxo gastroesofágico?
Por refluxo define-se a passagem do conteúdo gástrico para o esófago. O refluxo esporádico pode considerar-se normal, mas esta passagem crónica de suco gástrico ou de suco duodenal pode causar lesões do esófago.

Quais os sintomas?

  • Uma sensação de “ardor” ou “queimadura” no esófago – denominada azia ou pirose, que pode ser, ou não, acompanhada de dor ao longo do esófago;
  • Uma subida à boca de líquido de sabor ácido (e por vezes de alimentos) - regurgitação;
  • Uma dificuldade na passagem dos alimentos através do esófago.

Qual o impacto e evolução da doença?
Os sintomas da DRGE têm um impacto muito negativo na realização das actividades diárias e na qualidade de vida, sobretudo quando a DRGE é nocturna.

A DRGE é uma doença crónica, com uma prevalência, em Portugal, de 35%. Sem tratamento esta afecção é um problema a longo prazo, que se mantém ou recorre por vários anos, mas, com o tratamento, a DRGE tem um excelente prognóstico, sendo que 80 a 90% dos doentes melhoram com a medicação. O tratamento pode aliviar os sintomas logo desde o 1º dia, mas pode, dependendo da gravidade da situação, demorar algumas semanas até à cura da inflamação esofágica e, logo, ao desaparecimento completo dos sintomas. A DRGE apresenta 75% a 90% de recidivas após paragem do tratamento da fase aguda.

O refluxo não tratado pode ter como consequências lesões no esófago (úlceras e hemorragias) e numa pequena percentagem de doentes constitui um factor de risco para o desenvolvimento de cancro do esófago.

Como prevenir e tratar?
Para a grande maioria das pessoas, o primeiro passo consiste na modificação do estilo de vida e na adopção de certas atitudes, o que por si só pode fazer desaparecer os sintomas e prevenir o seu reaparecimento:

Factores físicos (perder peso, evitar roupas apertadas, evitar o sedentarismo, etc.)

Factores alimentares (fazer pequenas e frequentes refeições, evitar refeições tardias, evitar certos alimentos, etc.)

Outros factores (evitar o álcool, deixar de fumar, evitar certos fármacos, elevar a cabeceira da cama, etc.)

O tratamento desta situação e a prevenção das suas complicações passa sobretudo pela terapêutica medicamentosa.

Depois do advento dos antagonistas dos receptores H2, os Inibidores da Bomba de Protões (IBP’s), como o Pantoprazol, constituíram um avanço muito importante no tratamento da Doença de Refluxo e na prevenção das suas complicações.

Uma Epidemia Silenciosa – A Gastropatia induzida pelo consumo de anti-inflamatórios não esteróides (AINES)

O uso de anti-inflamatórios não esteróides (AINES) e de aspirina (mesmo em dose baixa) acompanha-se do risco de complicações gastrointestinais, podendo algumas delas ser graves e mesmo fatais.

Cerca de 20 % da população portuguesa apresenta alterações gastrointestinais, a maioria delas provocadas pelo elevado consumo de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), podendo estas alterações provocar hemorragias internas e perfurações gastroduodenais.

Os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) são, no seu conjunto, fármacos bem tolerados, no entanto, o elevado e sustido consumo destes medicamentos provoca efeitos negativos no tracto gastrointestinal. Os efeitos tóxicos dos AINEs já são considerados por muitos especialistas como uma “epidemia silenciosa”, uma vez que as complicações evoluem de forma silenciosa sem que os doentes e os médicos se apercebam.

Cerca de 15 a 30 % dos doentes que tomam regularmente AINEs apresentam lesões do tubo digestivo (úlceras, hemorragias).

Os Inibidores da Bomba de Protões (IBP’s), entre eles o Pantoprazol, constituíram um avanço notável na prevenção da patologia gastrointestinal causada pelos AINEs e reduziram de uma forma significativa as complicações inerentes à sua toma.